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Imagem: Henelise Motta

Eu andava triste, deprimido e sem a menor expectativa. Não estava satisfeito com o meu trabalho, ganhava pouco, não tinha carro, nem muitos amigos, nem mesmo um amor para me consolar quando chegasse em casa.

Um dia me encontrei com um amigo e nos sentamos para tomar um café. Eu narrava para ele os fatos tristes de minha vida e como não via sentido nela, quando um senhor sentado ao nosso lado me interrompeu e disse que sabia uma forma de me ajudar. Logo pensei que o homem iria me oferecer alguma cura milagrosa proposta por algumas religiões ou me mandaria a uma curandeira.

– Meu filho, existe um lugar um pouco afastado da cidade que pode acabar com seu desespero. Há muito tempo eu fui lá, perdi minha esposa e nós não tínhamos filhos, me vi sozinho no mundo e sem saber o que fazer da minha vida.

– Hum… O que é esse lugar? – perguntei.

– É um lago que fica em uma floresta há duas horas a pé daqui. É um lugar extremamente lindo e que traz muita paz.

– Então é para eu ir até lá e meditar ou algo do tipo?

– Não. Você vá até lá e lave seu rosto nas águas. Ele vai te ajudar a enxergar o que você precisa. – descreveu o senhor.

– Sério? – disse eu, tentando não parecer muito irônico. Senhor, desculpe-me, mas eu não acredito em magia.

– Não precisa acreditar. Mas, se você quer voltar a ser feliz precisa buscar formas.

Fui para casa pensando naquilo. Eu não gostava nem de livro de autoajuda, como acreditar em um lago com propriedades mágicas?

No dia seguinte acordei com a estranha sensação que precisava ir, afinal, pior eu não podia ficar e não custava tentar. Coloquei uma roupa adequada já que iria enfrentar duas horas de caminhada.

O caminho era difícil, deserto e com muitas árvores de ambos os lados. Eu só conseguia pensar que o caminho para felicidade era bem tortuoso e que era provável que aquele velho fosse um desses assassinos de filme e eu terminaria o dia morto, o que não era uma má ideia.

Depois do que me pareceram dias, avistei o lago. Era verde, cheio de lodo e nada convidativo para um banho. Como eu havia caído naquela historinha? Porém, como já estava ali cansado e suado, resolvi tentar.

Agachei-me na beirada do lago coloquei as mãos em concha e enchi com um punhado de água levando-a ao rosto. Até que não era tão ruim, e sim refrescante. Quando levantei a cabeça havia uma luz brilhante a minha frente.

– Olá Artur, finalmente você resolveu se reerguer – falou a luz brilhante.

– Quem é você e como sabe meu nome?- perguntei.

– Eu sou uma fada, meu nome é Anastásia. Venho te observando há muito tempo, mas, só posso ajudar quando sou solicitada.

– Hum… E como isso funciona? É como o gênio da lâmpada, tenho três desejos?

– Eu sei que você está infeliz, e acha que isso é causado por elementos ao seu redor. Muitas vezes, isso é sim verdade, mas na maioria você só precisa aprender a ser feliz sozinho.

– Eu não compreendo. Eu não tenho nada que possa me fazer feliz.

– Você só está pensando nas coisas que não possui. Para ser feliz não é preciso muito, você deve começar pelas pequenas coisas da vida.

Jogue fora tudo que te faz mal, pessoas, sentimentos, emprego… Guarde com você só o que te fortalece e te faz bem.

– Ok… Mas, eu preciso do trabalho, e não sei fazer outra coisa. E sou solitário, como posso me divertir sozinho? – indaguei.

– Claro que você sabe fazer outras coisas, você tem muitos dons que desconhece. Apenas não quer e não enxerga do que é capaz.

– Olha, senhora…fada… enfim, você acha que eu quero ser infeliz? Claro que não! É porque não tem jeito mesmo.

– Você não quer, eu sei disso, mas não faz nenhum movimento para mudar sua situação. Só fica remoendo tudo de ruim que há em sua vida.

Olhe a sua volta, você está em um lugar lindo e abençoado por Deus, mas, nem ao menos consegue ver sua beleza. Você tem família, amigos, mesmo que poucos, mas que se importam com você de verdade, tem casa e comida. Você não gosta de si mesmo.

Quanto a ser solitário, isso não existe, a primeira pessoa que tem que gostar da sua companhia é você mesmo, se não ninguém mais gostará. Todos os humanos têm hobbies: ouvir música, dançar, cantar, ler e até mesmo comer. Não importa qual é o seu, descubra e vá ser feliz!

Agora olhe para o lago e me diga o que vê.

– Nossa! Esse lago é lindo! Eu não havia percebido. – afirmei eu, completamente abismado.

– Claro que não, seus olhos estavam vendados. Agora a alegria está emergindo de você.

Olhei ao meu redor e a fada tinha desaparecido. O lugar era incrível, cheio de árvores e flores com tons muito vivos e o lago não tinha nada de nojento, ele refletia a floresta. Voltei para casa contemplando o caminho, ele não era longo quando se sabia olhar a beleza.

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